ESTUDO PROSOPOGRÁFICO DA ANTIGA MESOPOTÂMIA

“Certamente não é sábio insistir em que as cifras tradicionais para os reinados dos reis neobabilônicos sejam aceitas como definitivas.” – Estudo Perspicaz das Escrituras, Sociedade Torre de Vigia, volume 1, p. 608, verbete “Cronologia”.

A citação acima resume bem o que os seus autores pensam sobre a era neobabilônica, conforme é descrita pelos historiadores. Mas eles não revelam em sua totalidade o real motivo porque muitos continuam a "insistir" que os períodos apresentados por Beroso e Ptolomeu são os corretos e definitivos. Só diz que quem aceita a lista deles não é sábio...

Na verdade, o contrário é que é verdadeiro. Não é sábio rejeitar as cifras tradicionais, pois as evidências a favor delas são muito abundantes. A quantidade de matéria existente em favor das datas universalmente aceitas da era neobabilônica preencheria literalmente um livro de centenas de páginas. O que estou apresentando no meu site sobre o assunto é apenas um "resumo do resumo" e não uma abordagem completa de tudo que existe a favor de datas como o ano 587 para a primeira destruição de Jerusalém pelos babilônios, por exemplo. Dentro desse arcabouço arqueológico, podem-se destacar as evidências prosopográficas*, que são aquelas em que eventos do cotidiando neobabilônico fornecem informações adicionais sobre a duração dos reinados e os elos de ligação entre eles. Esses eventos eram registrados diariamente em tabuinhas cuneiformes. Por exemplo, havia uma importante família em Babilônia chamada Egibe que possuía um próspero empreendimento comercial. O assiriologista Bruno Meissner disse o seguinte sobre essa firma:

"Da empresa Filhos de Egibi nós possuímos tão grande abundância de documentos, que podemos rastrear quase todas as transações comerciais e experiências pessoais de seus dirigentes, desde a época de Nabucodonosor até a época de Dario I." - Babilônia e Assíria, Bruno Meissner, Vol. II (Heidelberg, 1925), pág. 331. Traduzido do alemão.

* A prosopografia (do grego prósopon, que significa "rosto" ou "pessoa") é “o estudo das biografias, especialmente de indivíduos unidos por relações familiares, econômicas, sociais, ou políticas.” - Novo Dicionário Mundial de Webster, 3ª edição acadêmica, eds. V. Neufeldt & D. B. Guralnik (Nova Iorque: Novos Dicionários Mundiais de Webster, 1988), pág. 1080, em inglês.

Para entender como tal exame prosopográfico é de extrema utilidade, basta dizer que praticamente nenhuma transação comercial era feita sem que se mencionasse o ano do rei, além de identificá-lo por nome. Quando o rei morria e outro assumia, a contabilidade comercial dos babilônios passava a mencionar o novo governante em seus lançamentos. Portanto, é possível saber a duração dos reinados babilônicos apenas por se rastrear e estudar a documentação comercial daquela época. E o quadro cronológico obtido por este vasto material torna impossível a inclusão de novos reis no período neobabilônico ou o "esticamento" da duração de seus reinados. No caso da empresa dos Egibe, os documentos cuneiformes dela fornecem um intervalo de oitenta e um anos de atividades, que vão do 3º ano de Nabucodonosor até o 1º ano de Dario Histaspes, conforme mostrado na tabela abaixo:

Como era de se esperar, a tabela acima está em total harmonia com o Cânon de Ptolomeu e com a Lista de Reis de Beroso. Recuando-se oitenta e um anos para trás desde o primeiro ano de Dario I (521/20 a.C.) chega-se ao ano 602/601 a.C.. Este é o terceiro ano de Nabucodonosor de acordo com os registros comerciais da empresa babilônica Egibe & Filhos. Sendo assim, basta somar três anos para descobrir qual foi o primeiro ano de Nabucodonosor. O resultado é 605/604 a.C., data que também pode ser obtida de diversas outras maneiras independentes.

Portanto, somente as tabuinhas comerciais da família Egibe são suficientes para determinar o inteiro período neobabilônico sem nenhuma margem de erro. Muito provavelmente Beroso e Ptolomeu também tiveram acesso aos mesmíssimos documentos que os especialistas estudam hoje em dia. Beroso e Ptolomeu não fizeram suas listas baseando-se 'simplesmente numa informação histórica que era a aceita no período selêucida', como alegam os editores da obra mencionada no início. - Livro Venha o Teu Reino, Sociedade Torre de Vigia, p. 187.

Observe que os documentos comerciais da firma dos Egibe são todos originais, e não cópias. É bom que se destaque esse pormenor, uma vez que os editores da obra "Estudo Perspicaz" costumam mencionar que alguns documentos que retratam o período neobabilônico são cópias. Eles fazem isso para tentar desacreditar o conteúdo de tais documentos.

Portanto, a cronologia neobabilônica é umas das mais seguras da Antigüidade, tanto pela quantidade de material arqueológico disponível, como pela precisão e qualidade dessas fontes, recebendo especial destaque os vários textos astronômicos que registram a posição dos planetas em certas constelações, e os eclipses que aconteciam ao longo dos anos, sendo que esses registros indicavam os reis de cada período astronômico mencionado. Todos esses fatores em conjunto permitem traçar um histórico completo das sucessões dos governantes neobabilônicos.

Fonte consultada:

The Gentile Times Reconsidered, de Carl Olof Jonsson (1998), p. 121-125.

 

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