RESUMO DO ARTIGO "ONDE FICAVA O JARDIM DO ÉDEN?"

O artigo apresenta duas novidades relacionadas ao que é descrito nos primeiros três capítulos de Gênesis:

1) Ao contrário do que muitos pensam, o Éden é uma região do universo fora da Terra, que a Bíblia chama de “céu”. E foi de lá que os primeiros humanos foram banidos. Na verdade, esse não é um entendimento inteiramente novo, pois vários cristãos já chegaram a tal conclusão.

2) Diferentemente do que ensinam as religiões que advogam o relato bíblico da criação, “Adão” foi criado no terceiro dia e não no sexto.

Mas você pode estar pensando:

“A Bíblia não é clara em dizer que o jardim do Éden ficava na Terra e que homem foi criado no sexto dia?”

Conforme está demonstrado na pesquisa apresentada, isso foi uma “pegadinha” do autor inspirado de Gênesis (não motivada por brincadeira pueril, mas talvez para não deixar essas informações facilmente perceptíveis a todos). Mas dentro do texto o escritor deixou algumas chaves para “abrir” o real entendimento, e depois que fazemos uso delas, o verdadeiro quadro fica claramente apresentado, em formato wide screen.

Conforme o capítulo 2 de Gênesis, a Bíblia menciona que quando Adão foi criado só tinha poeira na Terra, e não havia nenhuma vegetação no mundo. Mas ele não morreria de fome, pois Deus o levou em seguida “para os lados do leste” (ou "para o oriente", conforme outra tradução). Esta expressão era usada nos tempos antigos para se referir ao lar dos deuses. Ela pode ser vista em diversas inscrições sumerianas, babilônicas e egípcias. Moisés, o autor de Gênesis, se valeu dessa ideia para se referir “geograficamente” ao Éden. De fato, a Bíblia informa que Deus tinha o hábito de caminhar pelo jardim todas as tardes, pois o jardim é Dele e não do homem (Gên. 3:8). Lembre-se que Moisés, além de hebreu, era também egípcio, criado “em toda sabedoria” da corte do faraó (Atos 7:21). Além disso, o livro de Gênesis só foi compilado e finalizado depois que os hebreus foram libertados de Babilônia, para onde tinham sido deportados depois da primeira destruição do templo de Jerusalém. Tanto os babilônios quanto os hebreus eram povos semitas e tinham em comum algumas crenças (mas não o politeísmo).

Que o paraíso edênico ainda existe e não foi varrido pelas águas do Dilúvio é confirmado no livro de Apocalipse, ao mencionar os vencedores da luta diária do cristão:

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”. – Apocalipse 2:7.

Note que o verbo é utilizado no presente e não no passado, o que denota uma realidade ainda existente. Sobre esse paraíso mencionado em Apocalipse, disse um livro da religião Testemunhas de Jeová:

“O que se diz aqui deve referir-se ao domínio celestial, semelhante a um jardim, herdado por esses vencedores”. – Clímax de Revelação (1989), p. 37, par. 14.

Nota-se, assim, que a árvore da vida continua onde sempre esteve, e as pessoas terão novamente acesso a ela para que possam viver eternamente. Recorde-se que a primeira providência que Deus tomou logo depois que o homem pecou foi deixá-lo longe da árvore da vida, que fica no meio do jardim. – Gênesis 3:22.

Sim, o paraíso é um lugar que transcende a realidade humana e fica fora da Terra. Está em um local que a Bíblia chama simplesmente de “céu”, sendo ele um grande e agradável jardim. Esta era a crença dos antigos judeus e primeiros cristãos, conforme está comprovado nas diversas obras citadas na seção 4 do artigo.

E sobre o dia da criação do homem? Primeiro tenha em mente que algumas vezes a Bíblia não possui uma linha de raciocínio linear. Ela tem pontos internos de contato que estão separados, mas que se encaixam perfeitamente, feito uma chave e uma fechadura que só servem uma na outra. É como se fosse um bloco textual que precisa ser visualizado de maneira tridimensional para descobrirmos qual foi a real intenção do autor. E sempre que possível é apropriado beneficiar o texto com referências seguras que surgiram ao longo do tempo, à medida que o conhecimento do homem sobre pontos relacionados foi crescendo.

Por exemplo, Gênesis informa que as estrelas foram criadas depois da Terra. Porém hoje sabemos, pela ciência, que isso não é verdade. As estrelas já existiam no universo muito antes do nosso planeta. O caso foi que nos tempos primordiais havia uma densa camada na atmosfera que impediria um hipotético observador terrestre enxergar o sol e as estrelas que estavam LÁ FORA. Depois que o céu limpou e elas se tornaram visíveis AQUI, é que elas “foram criadas” do ponto de vista do narrador. A descrição passo a passo do capítulo 1 de Gênesis é do ponto de vista de um hipotético observador terrestre. Esta é uma das chaves a que me referi.

O mesmo acontece quando é dito que o primeiro casal foi criado no sexto dia. Na verdade, só a mulher foi criada no sexto dia, lá no Éden, que fica em outro lugar distante daqui. O homem já tinha sido criado desde o terceiro dia e levado para lá. Mas o primeiro casal só surgiu efetivamente quando a mulher foi criada, por isso a “criação” mencionada no capítulo 1 de Gênesis é descrita nestes termos: “Macho e fêmea os criou”. Quando Adão tinha sido criado, no terceiro dia, não havia nenhuma fêmea humana. Veja abaixo (tradução Nova Versão Internacional):

MOMENTO 1: “Quando o SENHOR Deus fez a terra e os céus, ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra. . . . Então o SENHOR Deus formou o homem do pó do solo da terra e soprou nele em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente”. – Gen. 2:4-7.

MOMENTO 2: “Ora, o SENHOR Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste, e ali colocou o homem que formara”. – Gen. 2:8. [obs.: note que o paraíso já existia antes do homem, mas algumas traduções da Bíblia dificultam esse entendimento; veja mais detalhes no artigo].

MOMENTO 3: “Então o SENHOR Deus fez nascer do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boa para alimento”. – Gen. 2:9. [perceba que só depois que o homem foi feito é que Deus fez nascer plantas na Terra, que não crescem do dia para a noite, porém o Éden já estava repleto delas].

MOMENTO 4: Deus começa a criar os animais e os leva ao homem para que dê nomes a eles. – Gen. 2:18-20a.

MOMENTO 5: Depois que machos e fêmeas de todos os animais são formados, Deus resolve criar uma mulher para o homem, surgindo assim o primeiro casal humano. – Gen. 2:21-24.

Perceba que entre os momentos 1 e 5, ou seja, entre a criação do homem e da mulher, há um grande lapso de tempo. O que demonstra que eles não foram feitos no mesmo dia criativo. Portanto, o que se vê no capítulo 1 de Gênesis é uma alusão ao surgimento do primeiro casal, e quando este apareceu aqui na Terra. Tudo o que está acima transcrito ocorreu enquanto “Adão” e “Eva” ainda estavam no Éden (as implicações disto estão comentadas no artigo). A Queda do paraíso ainda não tinha acontecido. Note que até mesmo essa expressão “queda” denota a mudança de um lugar mais alto para um mais baixo. Ou seja, do céu para a terra.

A seguir a sequência apresentada no capítulo 1, omitindo os dois primeiros dias criativos:

TERCEIRO DIA: Então disse Deus: ‘Ajuntem-se em um só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça a parte seca’. . . . à parte seca Deus chamou terra. . . . Então disse Deus: ‘Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com suas espécies’.”. – Gen. 1:9-11.

QUARTO DIA: “Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas”. – Gen. 1:14.

QUINTO DIA: “Deus criou os grandes animais aquáticos e os demais seres vivos que povoam as águas, de acordo com as suas espécies; e todas as aves, de acordo com as suas espécies”. – Gênesis 1:21.

SEXTO DIA: “E disse Deus: ‘Produza a terra seres vivos de acordo com as suas espécies: rebanhos domésticos, animais selvagens e os demais seres vivos da terra...’ Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. . . .’ Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou ”. – Gen. 1:24, 26, 27.

Note a afirmação de que as árvores e toda vegetação da Terra foram feitas antes do sol e das estrelas. O que é absolutamente impossível, pois não pode haver vegetais sem a luz do sol, conforme aprendemos na escola sobre a fotossíntese. Além do mais, os cientistas já comprovaram que a Terra surgiu muito depois das estrelas. E veja que na versão do capítulo 1 o homem é criado depois dos animais. Ora, não foi ele quem deu nomes aos animais que Deus criou? Perceba também que se aceitarmos a visão tradicional sobre Gênesis, ainda existe outra contradição entre os capítulos 1 e 2, também em referência ao reino vegetal, pois no capítulo 1 é dito que as plantas foram criadas antes do homem, ao passo que o 2 afirma que foram criadas depois...

Portanto, os dois primeiros capítulos de Gênesis são laços de um nó que só pode ser desatado se colocarmos cada coisa em seu devido lugar. Mas depois que isso é feito tudo fica muito claro. Para visualizar melhor a conciliação entre os capítulos 1 e 2 veja o quadro a seguir. Note que o capítulo 2 complementa o que foi dito no capítulo 1 como se fossem uma única narrativa:

Observação: alguns comentaristas tentam eliminar as contradições entre os capítulos 1 e 2 apresentando interpretações teológicas que não podem ser percebidas simplesmente pela leitura do texto bíblico. De modo que é pouco provável que tais “soluções” apresentadas estejam corretas.

O que está aqui explicado é apenas uma síntese. O detalhamento de todas as evidências que corroboram o que mencionei estão paulatinamente explicadas no artigo, que é talvez o texto mais abrangente sobre esse assunto que já foi publicado, pelo menos em língua portuguesa. Não digo isso de maneira pretensiosa e pedante. É apenas uma conclusão baseada no que vi na Internet. Se alguém já fez uma abordagem assim tão ampla eu não encontrei. Caso um dia você encontre alguma matéria que aborde todos os pontos que apresentei, não deixe de me avisar, ok? Veja o meu email na aba “contato”, no canto superior direito desta página.

Por fim, ressalto que a minha análise está vinculada primordialmente ao texto bíblico em si, conforme a visão que os antigos tinham sobre o assunto, na exata medida de entendimento que Deus permitia que eles tivessem. Naturalmente, o relato bíblico da maneira que está posto pode não corresponder à inteira realidade dos fatos, em virtude das alegorias presentes em Gênesis, que podem ser bem mais abrangentes do que é possível inferir da simples leitura do texto ou mediante um estudo exegético aplicado. Por exemplo, a expressão “macho e fêmea os criou”, em referência à criação do homem, pode não se referir a apenas duas pessoas, mas ser uma alusão à humanidade inteira, tal como ocorreu com cada espécie de animal, que certamente contava com vários pares e não apenas um. Da mesma maneira, a menção em Gênesis de uma árvore da vida e outra do bem e do mal podem ser apenas representações simbólicas de um evento acontecido em tempos primitivos sobre o qual sabemos muito pouco (compare com o Salmo 1:3 e o 92:12). Um antigo cristão chegou a uma conclusão semelhante, quando disse:

“E quem é tolo a ponto de supor que Deus, à maneira de um lavrador, plantou um paraíso no Éden, para o oriente, e colocou nele uma árvore da vida, visível e palpável, para que quem degustasse do seu fruto com dentes corporais obtivesse a vida? E, novamente, que alguém era participante do bem e do mal por ter mastigado o que foi retirado da árvore? E se é dito que Deus andava pelo paraíso à tardinha e Adão se escondeu debaixo de uma árvore, eu não acho que alguém duvide que estas coisas indicam figurativamente certos mistérios, a história tendo ocorrido na aparência e não literalmente”. – Sobre os Princípios, Livro IV, Orígenes, século 2 d.C.

 

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