COMO SE DETERMINAM AS ANTIGAS DATAS DA HISTÓRIA USANDO A ASTRONOMIA?

Introdução

Os especialistas usam vários métodos para chegarem às datas que vemos nos livros de História. Seria preciso um livro para discorrer perfeitamente sobre eles. O objetivo deste artigo é explicar resumida e didaticamente, tanto quanto seja possível, uma dessas maneiras: A datação auxiliada pela Astronomia, usando como referência alguns versículos da Bíblia Sagrada, um livro que cita frequentemente a cronologia de reinados antigos, sendo o império neobabilônico o escolhido para as demonstrações aqui apresentadas.

Para a nossa sorte, alguns povos antigos eram profundos conhecedores do céu noturno, além de conhecerem matemática e geometria. Eles foram os primeiros astrônomos. Os antigos caldeus (babilônios) se destacaram nessa área. Eles eram capazes até de prever eclipses e saber com perfeição a trajetória dos planetas então conhecidos. Certo livro de matemática disse sobre eles:

“Construtores famosos e astrônomos célebres, não é de estranhar-se que os babilônios tivessem uma cultura matemática já bastante adiantada e conclui-se que, entre outras coisas, sabiam resolver problemas de multiplicação sem se utilizar de ábaco.”

Milhares de tabuletas de argila cozida que foram desenterradas na região onde era a antiga Mesopotâmia comprovam as palavras do livro acima. A maior parte desse material trata de assuntos do cotidiano. Eram escrituras, recibos, contratos de compra e venda, transações comercias diversas, textos comemorativos etc. Embora todas estas fontes sejam necessárias para se saber com perfeição a cronologia daquele tempo, o tipo de tábua cuneiforme mais importante para uma datação absoluta são as tábuas astronômicas. Elas são registros "escritos" nas próprias estrelas, cujo cenário é imutável por milhares de anos.

Os astrônomos caldeus registravam diariamente diversos eventos que viam no céu, especialmente durante a noite. Descreviam com precisão a posição relativa dos cinco planetas então conhecidos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Eles fizeram essas anotações durante centenas de anos! Ao fazerem tais registros, costumavam informar o rei sob o qual estavam e em que dia do reinado dele.

Já que a Bíblia, em suas datações internas, menciona alguns reis babilônios daquele período, não é muito difícil sincronizar a cronologia absoluta de Babilônia com a cronologia relativa da Bíblia. Veja bem, tenha sempre isto em mente: a cronologia bíblica é uma “cronologia relativa”, pois a Bíblia não contém datas segundo o nosso calendário. Procure na Bíblia qualquer data "bíblica" famosa, e não a encontrará. Sem as fontes seculares não há como saber nenhuma data da Bíblia.

Um exemplo do ponto de contato entre essas duas cronologias é Jeremias 32:1. O texto diz:

"A palavra veio a Jeremias da parte do SENHOR, no ano décimo de Zedequias, rei de Judá, o qual foi o décimo oitavo de Nabucodonosor."

Vemos acima que o versículo diz que quando Deus apareceu para o profeta Jeremias, o rei que governava a nação judaica era Zedequias, e ele estava em seu 10º ano de reinado, ao passo que o rei de Babilônia, Nabucodonosor, já estava no trono há dezoitos anos. Lendo somente a Bíblia, não temos como saber que ano foi esse. Mas, felizmente, os babilônios registraram astronomicamente os anos de reinado de Nabucodonosor. Por isso é possível descobrir em que ano do nosso calendário foi o 18º ano de Nabucodonosor. Ao se encontrar tal informação, descobre-se, consequentemente, quando foi o décimo ano de Zedequias! A esse processo chamamos de sincronização.

Observação: Jeremias 32:1 usa o método não-ascencional de reinados. Para mais detalhes, leia depois este artigo.

A ferramenta necessária para se confirmar a cronologia absoluta

O conhecimento atual sobre os planetas e as estrelas não tem precedentes na história humana. Com o surgimento dos computadores e o desenvolvimento de softwares especializados em Astronomia, hoje é possível qualquer pessoa verificar se os conteúdos dos diários astronômicos da antiga Mesopotâmia estão corretos ou não.

O programa que escolhi para exemplificar isso é o Starry Night, versão Backyard (cujo "download" por ser feito aqui). Ele foi desenvolvido por esta empresa. Há outras versões com mais recursos.

O Starry Night simula visualmente o céu em qualquer data do passado e do futuro. Isto só é possível porque o movimento relativo dos astros é como um relógio de alta precisão em pleno funcionamento. É só adiantar ou atrasar os “ponteiros” deste “relógio” para se viajar virtualmente no tempo! O programa faz isso através de cálculos matemáticos que foram alimentados com dados da mecânica dos movimentos celestes.* Mas note que o Starry Night não é um programa meteorológico por satélite. Ele apresenta apenas o que um observador veria no ceú sem considerar a presença de nuvens. As versões mais recentes também mostram onde estão satélites de comunicação, a estação espacial internacional (ISS) e os novos cometas descobertos recentemente pelos astrônomos.

* A margem de erro é desprezível (de apenas alguns minutos).

Para confirmar a precisão do programa Starry Night, leia depois o artigo "Usando um Programa de Computador para Confirmar Datas".

As demonstrações do tópico a seguir consistirão em testar a veracidade das datas apresentadas, para saber se elas são verdadeiras ou não. Para realizar esta verificação alguns passos serão necessários:

1) Saber qual é a data atribuída pelos historiadores a determinado momento do governo do rei que está sendo considerado

2) Instalar o programa Starry Night no seu computador.

3) Ajustar o local a partir do qual a “observação” será feita. Para entrar nesse ajuste, é preciso ir em “Set Home Location”.

4) Fazer o programa voltar ao momento desejado. Ou seja, a data apresentada pelos historiadores.

5) Verificar se na data escolhida o céu está exatamente como foi dito na tabuinha astronômica que está sendo considerada. Se estiver, significa que a data está correta!

Vamos lá? Pronto para “viajar no tempo”?

Simulando antigas observações astronômicas

Inicialmente, usarei como exemplo para as simulações a seguir duas tabuinhas astronômicas: a B.M. 76738 (+ B.M. 76813) e a VAT 4956, que estão no Museu Britânico e no Museu de Berlim, respectivamente. Depois, como demonstração complementar, simularei um eclipse mencionado no cilindro de Nabonido nº 18, o qual se encontra no Museu Britânico. Tecnicamente, este cilindro não é um diário astronômico, porém a informação astronômica que ele contém pode também ser testada.

a) B.M. 76738 + B.M. 76813


(tabuinha com efemérides de Saturno)

Estes dois fragmentos são conhecidos como "tabuinha de Saturno". Ela foi publicada por C. B. F. Walker, no livro Astronomia Antiga e Divinação Celestial, de N. M. Swerdlow, ("Observações babilônicas de Saturno durante o reinado de Kandalanu”, em inglês - Cambridge, Massachusetts e Londres: Editora do MIT, 2000), págs. 61-76. As informações nela contidas foram escritas durante o governo do rei Kandalanu. Diz a tabuinha (aqui em azul):

Ano 8 [do rei Kandalanu], mês 6, dia 5, atrás do Arado (α+ Virgem), último aparecimento [de saturno].

[Ano 8], mês 7, dia 5, 'entre' o Arado (α+ Virgem) e Balança (Libra), primeiro aparecimento [de saturno].

Arado (ou sulco, do inglês “furrow”) é como eles chamavam Spica, a principal estrela da constelação de Virgem. (Vide nota). Graças ao conhecimento que os astrônomos modernos "transferiram" para dentro do Starry Night, hoje é possível qualquer pessoa simular o evento acima e conferir se a data apresentada pelos historiadores está certa ou não.

Como você pode ver, é dito que no oitavo ano do reinado de Kandalanu o planeta Saturno estava na constelação de Virgem. Mas quando exatamente isso aconteceu?

Kandalanu foi o rei que governou Babilônia antes de Nabopolossar, o pai de Nabucodonosor. Segundo as tabuinhas cuneiformes, Kandalanu reinou por 22 anos. Ao consultar qualquer boa enciclopédia, vemos que Nabopolassar iniciou seu reinado em 625 a.C. Então fica fácil descobrir quando foi o oitavo ano de Kandalanu – o ano mencionado na tabuinha de Saturno. Basta escrever a seqüência abaixo, voltando para trás no tempo, a partir do primeiro ano de Nabopolassar (lembre-se que antes de Cristo as datas são decrescentes):

1º ano de Nabopolassar – 625 a.C.

22º ano de Kandalunu – 626 a.C.(último ano de Kandalanu)

21º ano de Kandalunu – 627 a.C.

20º ano de Kandalunu – 628 a.C.

19º ano de Kandalunu – 629 a.C.

.......... E assim por diante até chegar no:

8º ano de Kandalunu – 640 a.C. --> este é o ano da tabuinha!

7º ano de Kandalunu – 641 a.C.

........... E assim por diante

1º ano de Kandalunu – 647 a.C..

........... E assim por diante

1º ano de Kandalunu – 647 a.C..

Pelo acima, descobrimos que o oitavo ano de Kandalanu é o ano 640 a.C.

Agora vamos ajustar o local de nossa observação. Já que Babilônia ficava onde hoje fica o Iraque, escolhi as coordenadas de Bagdá, o que é mais ou menos o local onde os escribas da tabuinha de Saturno estavam quando fitaram os olhos naquele céu estrelado de 640 a.C. Vá em Go\Set Home Location e carregue o programa com as seguintes coordenadas:

Latitude: 33° 20' 02.0'' N
Longitude: 4° 23' 52.0'' E

Lembre-se que é preciso alterar a era, mudando de "AD" (Anno Dominni = depois de Cristo) para "BC" (Before Christ = antes de Cristo).

Então? Vamos ver como estava a noite no céu de Bagdá no ano 640 a.C.? Lembre-se que a tabuinha diz que a observação se deu no quinto dia do sexto mês do ano babilônio. Ou seja, no mês de ululu, o qual equivale a partes dos nossos agosto e setembro, conforme a tabela abaixo:

* Ou Tammu

Pela tabela, vemos que o mês de ululu começa aproximadamente na metade de agosto. Considerarei aqui que ululu começa no dia 16 de agosto. Se errar por um dia ou dois isso não atrapalhará a observação, pois um planeta fica mais que um dia sobre uma determinada constelação. Portanto, se 1º de ululu foi no dia 16 de agosto, o dia 5 de ululu será no dia 20 de agosto. Segundo o Starry Night, em 20 de agosto de 640 a.C., às 19:30 h, o céu estava assim:

Olhando a tela do computador, vemos que o céu está exatamente como foi descrito na tabuinha cuneiforme! (No programa, Virgem é chamada de "Virgo"). Veja a descrição da tabuinha novamente, desta feita "traduzida" para a linguagem moderna:

"No ano 8 do rei Kandalanu, no mês 6, dia 5, atrás da alfa de Virgem (Virgo), Saturno aparece pela última vez. E no mês 7, dia 5, aparece 'entre' a alfa de virgem e a constelação de Libra, sendo o primeiro aparecimento dele".

Note que a tabuinha ainda fornece outra informação. Ela diz que após um mês o planeta Saturno se movimentou e ficou entre as contelações de Libra e Virgem. Ao pedir que o programa mostre o céu um mês depois, veremos exatamente isso: que Saturno está se deslocando entre Libra e Virgem.

Só por curiosidade, vamos testar a data que as "Testemunhas de Jeová" atribuem ao oitavo ano de Kandalanu (na verdade são os líderes da religião TJ que dizem isso, pois seus adeptos geralmente não sabem nada sobre este assunto). Em sua enciclopédia "Estudo Perspicaz das Escrituras" elas dizem:

"O caldeu Nabopolassar fundou uma nova dinastia em Babilônia, por volta de 645 a.C.. Seu filho, Nabucodonosor II, que completou a restauração e levou a cidade à sua maior glória." - Volume 1, p. 295, verbete "Babilônia".

Percebe-se que as Testemunhas acrescentam 20 anos ao período de domínio de Nabopolassar, o pai de Nabucodonosor. Elas fazem isso para adequar essa data a um dogma religioso que inventaram. Então, se fizermos aquela mesma seqüência de datas que foi feita acima, descobriremos que o oitavo ano de Kandalunu, segundo as Testemunhas "de" Jeová, seria em 660 a.C.. Pergunte aí para o seu computador como estava o céu em Bagdá na noite de 20 de agosto daquele ano... "Perguntou?" O que ele "disse"?:

A tela do programa mostra que Saturno estava sobre a constelação de Capricórnio e não em Virgem! Na verdade, nem Virgem nem Libra estavam nesse setor do céu no dia 5 do mês de ululu de 660 a.C. Vemos aqui uma clara e incontestável evidência que a data apresentada pela Torre de Vigia, entidade dirigente das "testemunhas de Jeová", tem um erro de 20 anos! Pode-se afirmar isso com total segurança porque as estrelas são um relógio preciso, sem margem de erro. Qualquer estudante de Astronomia sabe disso. Então, a possibilidade de ter havido uma falha nessa demonstração é zero. Sem falar que os astrônomos sabem que Saturno só passa por cima de uma mesma constelação a cada 29,5 anos. Ou seja, por esse parâmetro físico, criado por Deus, não há nenhuma possibilidade de no ano 660 a.C. Saturno ter passado sobre a constelação de Virgem, pois o ciclo ainda não tinha sido completado. Não aceitar este fato é querer mudar os tempos e as épocas. É querer ser Deus!

b) VAT 4956


(Frente e verso da tábua cuneiforme VAT 4956)

Para a tabuinha acima, irei acionar três recursos do Starry Night chamados "bounderies", "labels" e "auto identify". Eles dividem o céu em setores diferentes, identifica a constelação de cada setor e mostra uma representação artística da constelação. Isso torna mais fácil identificar a parte do céu em que cada planeta se encontra.

Como referência, usarei as datas apresentadas pelos historiadores, as quais se encontram na tabela abaixo:

Dentre outras coisas, a tabuleta cuneiforme VAT 4956 diz:

"Ano 37 de Nabucodonosor, rei de Babilônia.... Mês 2, primeiro dia.... Saturno está em frente a Andorinha." - Sachs and Hunger (1985), p. 47, 49.

(Para ver a simulação de todas as 13 posições lunares mencionadas nesta tabuinha, acesse depois este link).

Vemos que a informação acima foi anotada no 37º ano do rei Nabucodonosor. Se o seu 1º ano foi em 604, o seu 37º ano foi em 568 a.C. O diário afirma que no primeiro dia do segundo mês desse ano 'Saturno estava em frente a Andorinha', nome dado à constelação de Peixes. Ayaru é o segundo mês, o qual começa na metade de abril. Então, podemos definir que este evento aconteceu em 16 de abril de 568 a.C. Vejamos se o Starry Night confirma esse registro (a hora escolhida foi às 03:50 h da manhã):

Observamos que realmente Saturno se encontra defronte a constelação de Peixes, exatamente como foi dito na tabuinha. Agora vejamos vinte anos antes, em 588 a.C., que seria a data correta para o 37º ano de Nabucodonosor, segundo a Torre de Vigia:

Vemos em Peixes apenas os planetas Vênus e Júpiter. Pedimos ao programa (na função "find") para localizar Saturno e ele nos informou que Saturno só aparecerá no céu às 10:44 h do dia 16 de abril de 588 a.C., hora de Bagdá. No entanto, ele não será visível, pois isto será em plena luz do dia. De qualquer maneira, mesmo invisível aos olhos humanos, ele não estará na constelação de Peixes, e sim na constelação de Câncer.

c) Cilindro de Nabonido nº 18


(Cilindro de Nabonido descoberto em Ur)

Entre os cilindros do reinado de Nabonido que foram desenterrados no Iraque, o cilindro nº 18 menciona um eclipse heliacal no 13º dia do mês de ululu, em um ano não especificado de Nabonido. Diz a inscrição:

“Por causa do desejo por uma sacerdotisa entu, no dia 13 do mês de ululu, o mês (cujo nome sumeriano significa) ‘trabalho das deusas’, a lua foi eclipsada e se pôs enquanto estava eclipsada. Sin pediu uma sacerdotisa entu. Assim (foi) seu sinal e sua decisão.” - Veja o texto completo aqui.

Nessa ocasião, Nabonido dedicou sua filha En-nigaldi-Nana (ou Bel-salti-Nanar) ao deus-lua Sin, para que ela fosse sacerdotisa no templo de Egipar, em Ur. Ao fazer isto, ele estava seguindo a lista de presságios astrológicos chamada Enuma Anu Enlil, que dizia especificamente que quando um eclipse ocorria na “alvorada da manhã” do dia 13 de ululu era sinal de que o deus-lua Sin estava pedindo uma sacerdotisa. - “O Antecedente Babilônico da Lenda de Kay Kâûs”, Archiv Orientální, Vol. XVII, H. Lewy (ed. por B. Hrozny, Praga, 1949), págs. 50, 51.

Mesmo não sendo este cilindro um documento astronômico, com a informação astronômica que ele contém é possível saber qual foi o ano desse eclipse, mediante uma verificação dos eclipses que ocorreram naquele período, ou seja, nos dezessete anos do reinado de Nabonido (de 555 a 539 a.C.). Combinando a informação deste cilindro com outro achado arqueológico conhecido como Crônica Real, é possível determinar em qual ano do reinado de Nabonido este eclipse aconteceu, uma vez que a Crônica Real diz que a dedicação de En-nigaldi-Nana aconteceu no segundo ano do rei Nabonido.

Como foi visto acima, o texto diz que o eclipse aconteceu em 13 de ululu (ou elil). Conforme mostrado na tabela que está na simulação da tabuinha de Saturno, este mês babilônico corresponde a partes de agosto e setembro de nosso calendário (E, às vezes, a partes de setembro e outubro). Portanto, não é preciso localizar todos os eclipses que ocorreram no reinado de Nabonido. Basta procurar os que aconteceram entre agosto e outubro, de todos os 17 anos de seu reinado.

Uma outra informação importante que o cilindro fornece é que o eclipse ainda estava em andamento quando a lua se pôs e nesse exato momento o sol estava nascendo (pois era a “vigília da alvorada”). Ou seja, o fim do eclipse não foi visto por ninguém que estava em Babilônia. Por causa dessas peculiaridades, este raro eclipse é chamado de heliacal, pois a lua se põe eclipsada enquanto o sol nasce.

Para fazer uma simulação deste eclipse no Starry Night será preciso fornecer as coordenadas exatas de onde ficava Babilônia, cujas ruínas estão nas cercanias da cidade de Al Hillah, a uma distância de uns 25 quilômetros. Para isto, entre com os seguintes números em “Set Home Location”:

1) Latitude: 32.30 N
2) Longitude: 44.10 E

A inscrição cuneiforme diz que o eclipse se deu no segundo ano de Nabonido, e os historiadores dizem que este ano foi 554 a.C. Sendo assim, teremos que verificar o mês de ululu do ano 554 a.C. Houve um eclipse heliacal em tal ano? Houve sim! Se formos no Starry Night até o dia 26 de setembro de 554 a.C., veremos que a lua estava cheia e brilhante no céu. Entretanto, à 01:40 h da manhã uma fase penumbral começou a ocorrer. Isso prenunciava o início de um eclipse, o qual começaria às 3 horas da manhã. O auge foi por volta de 04:26 h, mas a lua não chegou a ficar totalmente coberta pela sombra da Terra e uma beirada da lua penunbral ficou ainda visível.

Veja a seguir as imagens fornecidas pelo programa em cada momento mencionado:


Às 02:00 h da manhã a lua cheia está sendo coberta por uma penumbra


Às 02:48 h a lua já está totalmente na penumbra


Às 03:00 h da manhã começa o início do eclipse com a lua já totalmente na penumbra


Às 03:16 h, o eclipse continua avançando


Às 04:13 h, o eclipse chega ao ponto máximo e o céu já apresenta sinais de que vai amanhecer


Às 05:14 h, a lua está prestes a se pôr, entretanto o eclipse ainda não acabou

Às 05:39 h, o eclipse ainda não tinha terminado e a lua começou a se pôr no oeste. Ao mesmo tempo, no leste, o sol começava a nascer. Portanto, sem sombra de dúvida, este é o eclipse mencionado no cilindro de Nabonido, o qual, segundo o Starry Night, ocorreu exatamente como foi descrito naquele texto cuneiforme!


Às 05:39 h, no lado oeste, ainda eclipsada a lua começa a se pôr, enquanto que no leste o sol começa a nascer


Às 05:39 h o sol começa a nascer


Às 06:07 h, o sol já nasceu e a lua não está mais visível, pois já se pôs no oeste

Ao verificarmos todo o reinado de Nabonido, descobrimos que em outros anos houve mais três eclipses lunares no mês de ululu. No entanto, em nenhum deles a lua se pôs heliacamente. A data em que houve outro eclipse lunar deste tipo foi cinqüenta e quatro anos antes, no dia 24 de agosto de 608 a.C.** Isto prova que a inscrição real Nabon. nº 18 marca sem nenhuma dúvida o segundo ano de Nabonido em 554 a.C. Mas qual a importância deste evento nessa consideração? Falando sobre a famosa crônica de Nabonido, as "Testemunhas de Jeová" declararam:

"Pode-se notar que a frase ‘décimo sétimo ano’ não consta na tabuinha, estando danificada esta parte do texto. Esta frase é inserida pelos tradutores, porque eles acreditam que o 17.° ano de reinado de Nabonido foi seu último. Assim, presumem que a queda da cidade de Babilônia se deu naquele ano do seu reinado e que, se a tabuinha não estivesse danificada, essas palavras apareceriam no espaço agora danificado. Mesmo que o reinado de Nabonido tenha durado mais do que em geral se supõe, isto não mudaria a data aceita de 539 a.C. como ano da queda de Babilônia, porque há outras fontes que indicam este ano. Este fator, porém, diminui até certo ponto o valor da Crônica de Nabonido." – Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 3, p. 52, verbete “Nabonido”, negrito acrescentado.

** Mesmo sendo um eclipse heliacal, 608 a.C. não poderia ser o segundo ano de Nabonido, nem para a cronologia das Testemunhas (segundo a qual o rei em 608 seria Nabucodonosor), nem para a cronologia historicamente estabelecida (que diz que em 608 o rei era Nabopolassar).

Nota-se que as "Testemunhas de Jeová", no livro "Estudo Perspicaz", consideram a possibilidade do reinado de Nabonido ter durado mais de 17 anos. Sem dúvida, isso poderia ajudá-las a reparar a brecha de 20 anos que existe em sua cronologia, conforme vemos nas tabelas abaixo:

Período neobabilônico segundo os historiadores:

Período neobabilônico segundo as "Testemunhas de Jeová":

Não há como consertar essa brecha de 20 anos da cronologia da religião "Testemunhas de Jeová", pois não existem achados arqueológicos que permitam esticar o tempo de governo de cada rei, e nem tampouco incluir novos reis, pois diversas evidências prosopográficas independentes fornecem não apenas a duração do período neobabilônico, mas também os elos de ligação entre os reinados que existiram durante toda essa dinastia iniciada por Nabopolassar. E o cilindro de Nabonido confirma de forma inequívoca que Nabonido de fato só reinou 17 anos, e que em 554 a.C. foi seu segundo ano de reinado. Além disso, o texto Nabon. nº 18 confirma a consistência da Lista de Reis de Beroso e o Cânon de Ptolomeu, os quais são vistos de forma desfavorável pela Torre de Vigia (conforme já informado, entidade que comanda as "testemunhas de Jeová" e é responsável por seus ensinamentos). Ela alega que esses documentos são cópias e não originais da época neobabilônica, por isso não seriam confiáveis. Mas lembre-se que as inscrições reais, tal como o cilindro de Nabonido, e as milhares de tabuinhas comerciais desenterradas no Iraque são documentos originais daquela época, e todos eles juntos confirmam a cronologia apresentada por Ptolomeu e Beroso, que consta corretamente em todos os livros de História antiga da atualidade.

------------------------------------------ fim das simulações ------------------------------------------

Conclusão

Demonstrações como as que foram feitas acima proporcionam um levantamento completo do quadro cronológico daquele período babilônico. Juntando todas as outras fontes de informação com as que foram explicadas aqui, descobrem-se períodos de reinados tais como o indicado na tabela abaixo:

Observação: Para calcular a duração de um reinado, aplique a fórmula: ano maior – ano menor + 1

Dentre as milhares de descobertas arqueológicas que possibilitam a construção dessa tabela, não há um único registro que autorize a redução ou o acréscimo de anos aos períodos acima estabelecidos. Além disso, existem elos que ligam o fim de um reinado ao início do reinado seguinte, tornando impossível a inclusão de mais governantes ou o acréscimo de mais tempo aos reinados.

Por fim, se uma Testemunha "de' Jeová alegar que o Starry Night pode ter alguma margem de erro significativa que altera a verdadeira data, desconhece completamente a natureza desse programa de computador, que foi feito por especialistas que entendem profundamente do assunto (há outros softwares semelhantes no mercado que mostram as mesmas informações). E mesmo que houvesse tal erro grotesco, por que ele apoiaria justamente a data defendida pelos historiadores? A margem de erro do Starry Night é de apenas alguns minutos e não de 29 anos e meio! Para mais detalhes sobre a precisão do Starry Night, leia depois este artigo.

 

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Nota:

Spica significa “espiga”. Se voltarmos um pouco à mitologia relacionada a esse nome, veremos que essa constelação era representada por uma mulher com algo na mão, muito semelhante à representação atual da Virgem.

Ao que tudo indica, essa mulher representava Istar, deusa da fertilidade. Dizem duas referências na Internet:

"A constelação da Virgem era tida na Babilónia e no antigo Egipto como simbolizando a 'Grande Mãe'. A sua representação exibia na mão uma espiga, símbolo da abundância, fecundidade. A estrela principal da constelação da Virgem é precisamente a Spica (Espiga)."Link

"This alpha star in Virgo represents the harvest of barley. The Babylonians saw Spica in Virgo as a representation of harvested barley stalks held in one hand with her other hand holding barley roots directed upward."Link.

Ao contrário da representação atual, onde a mulher segura uma planta na mão direita, na versão dos babilônios a mulher segura um feixe de espigas de cevada na mão esquerda e na outra empunha a lâmina de arado que corta a terra. Em uma das extremidades da espiga há uma estrela. É por essa razão que o nome dado a ela é Spica, ou seja, "espiga".

Spica é a estrela mais brilhante de Virgem, por isso é chamada de "alfa". Este termo se refere sempre à estrela mais brilhante de qualquer constelação. Por exemplo, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião é Antares, então ela é a "alfa" de Escorpião; a estrela mais brilhante da constelação do Cão Maior é Sírius, então ela é a "alfa" de Cão Maior, e assim por diante. Portanto, a descrição "α+ Virgem" significa que ela é a estrela mais brilhante de Virgem.

 

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